Acontece!

Dívida externa avança em silêncio

Por José Paulo Kupfer
Quinta-Feira, 16 de Junho de 2011
A dívida externa está vivendo um boom. Em silêncio, meio despercebida, ela se aproxima dos US$ 300 bilhões
Ainda é generalizada a ideia de que o volume de reservas internacionais é uma blindagem segura contra eventuais problemas nas contas externas. Mas essa ideia já foi mais generalizada - e isso faz sentido. A persistência de juros estratosféricos e sua contraparte cambial, a firme valorização do real, têm operado, aos poucos e por vários canais, para minar a antiga confiança.
A dívida externa está vivendo um boom. Em silêncio, meio despercebida, ela se aproxima dos US$ 300 bilhões. E vem crescendo mais rápido do que as reservas que, no momento, andam pela casa dos US$ 350 bilhões.
Nos últimos dois anos, até abril de 2011, a dívida externa cresceu mais de 40%. Detalhe: o incremento é praticamente todo devido ao setor privado - 95% do aumento são de responsabilidade de bancos e empresas privadas. No total da dívida externa, mais de três quartos são de responsabilidade privada. Em 2009, a parcela privada na dívida externa era de pouco mais de dois terços do total.
Em entrevista ao colega João Villaverde, do jornal Valor, na semana passada, o economista Júlio Sérgio Gomes de Almeida, hoje consultor do Instituto de Estudos do Desenvolvimento Industrial (Iedi) e coordenador de um estudo em fase de conclusão sobre o tema, chamou a atenção para a aceleração da trajetória da dívida externa. Segundo ele, no ritmo atual ela pode ultrapassar o nível de reservas.
Não é preciso lembrar que, emoldurando esse quadro preocupante, estão as taxas de juros reais mais altas do mundo, coadjuvadas pela firme valorização do real.
Fonte: Estadão
 
Rua Amazonas, 512 - Sala 31
B. Jardim América - Caxias do Sul - RS
55 54 3021 5404